Cidades Inovação
Barreiras para a inovação
Ainda há muita resistência em determinadas corporações para romper padrões
21/06/2023 16h26
Por: Sthefano Scalon Cruvinel

Dando sequência ao tema, em meu último artigo “Por que Inovar?!”, falei das vantagens que o empreendedor tem ao investir em inovação - de produtos ou serviços -, em qualquer área de atuação. Inclusive, enumerei dez regras básicas para quem decide inovar e que são quase que um mantra entre os experts no assunto.

A conclusão é que vale a pena inovar!

Contudo, certas pessoas encontram dificuldades, na verdade barreiras quando o assunto é inovação, que se transformam num grande dilema para boa parte dos empresários.

Ao longo dos anos, observei diferentes razões que são dilema do inovador. As mais óbvias sempre foram a falta de visão e a "cultura de uma grande empresa".

Assim sendo, vou listar abaixo algumas outras razões pelas quais as empresas, algumas conhecidas, lutam para mudarem e se adaptarem – e até evitarem a falência – diante de um mercado onde a concorrência é forte e não dorme no ponto. Vamos lá:

Incentivos de gerenciamento: Os incentivos de gerenciamento tradicionais, como bônus ou opções de ações, geralmente estão vinculados ao desempenho de empresas existentes, o que pode desencorajar o investimento em iniciativas novas e incertas e até mesmo matar ideias inovadoras antes que surjam.

Cultura organizacional: uma cultura corporativa rígida e avessa ao risco pode dificultar a adoção de novas ideias e tecnologias pelas empresas, especialmente quando elas constroem silos e incentivos dentro desses silos.

Foco de curto prazo: a maioria das empresas prioriza o desempenho financeiro de curto prazo em vez de investimentos de longo prazo em novas tecnologias ou modelos de negócios. Isso também tem a ver com o seguinte tópico – os acionistas.

Pressão dos acionistas: as empresas públicas, em particular, estão sob pressão dos acionistas para oferecer desempenho financeiro consistente (curto prazo), dificultando o investimento em tecnologias inovadoras que poderiam ser benéficas no longo prazo, mas prejudicariam o desempenho financeiro no curto prazo.

Inércia: Uma frase que sempre gosto de ouvir é: "Sempre fizemos assim" - empresas que obtiveram sucesso com determinado modelo de negócios ou com determinada tecnologia/inovação podem ter dificuldade em mudar algo, mesmo que seja uma inovação revolucionária ou uma nova dinâmica de mercado.

Falta de capacidade de inovação: quando a cultura e a má gestão se juntam, as empresas muitas vezes não conseguem desenvolver as habilidades, conhecimentos ou recursos necessários para inovar de forma eficaz.

Resistência interna à mudança: pode ser uma combinação de muitos dos itens acima, mas apresenta um desafio único. Os funcionários podem relutar em mudar, especialmente quando isso ameaça a segurança de seu emprego ou processos de negócios existentes nos quais eles são “especialistas”.

Desequilíbrio de Metas: Um bom planejamento estratégico requer metas de longo prazo que podem não ser conciliadas com mudanças disruptivas. Além disso, diferentes departamentos ou unidades de negócios dentro de uma organização podem ter objetivos conflitantes, dificultando o alinhamento.

Conhecimento limitado do cliente: as organizações podem não ter uma compreensão profunda de seus clientes e muitas vezes ignoram os concorrentes e as mudanças disruptivas no mercado até que seja tarde demais. Também observei com frequência o feedback do cliente sendo coletado, mas depois "encoberto" nos relatórios de gerenciamento. Portanto, quanto mais longe as informações chegavam, menos provável era que esse feedback chegasse à alta administração.

Complexidade Tecnológica: Outro ponto crucial é a complexidade geral das tecnologias. A complexidade pode dificultar a inovação rápida e eficaz das organizações porque não é clara ou opressiva para a maioria das partes interessadas.

Para finalizar, no artigo anterior citei o exemplo da Kodak, de uma empresa que não quis abrir mão de sua cultura conservadora e assistiu a concorrência abocanhar o seu mercado de atuação.

Agora, vou lembrar o caso da Blockbuster Vídeo, a maior rede de Locadora de vídeos de filmes e videogames no mundo. Essa empresa, quando a Netflix começou a oferecer serviços de streaming de filmes, demorou a responder e acabou falindo, pois os clientes mudaram de locações físicas para opções de streaming digital. Motivo: a empresa não queria sacrificar sua extensa rede de lojas offline para streaming.

Diante disso, fica a conclusão de que inovar é preciso, em qualquer negócio. É uma questão de sobrevivência e garantia de lucros!