A Inteligência Artificial (IA) tem causado uma verdadeira revolução por todo o mundo, conquistando cada vez mais milhões de adeptos. Nesse âmbito, com o advento do ChatGPT, dezenas de novas ferramentas com funções parecidas ganharam destaque, entre elas, GitHub Copilot e o DALL-E. Tem ainda o Bing, buscador da Microsoft, o Bard da Google e outras mais, como as “assistentes” Siri (Apple), Cortana (Windows) e Alexa (Amazon). Como não falar também do Murf e do Speech Text, o primeiro converte texto em fala e, o segundo, age inversamente convertendo voz em texto. Enfim, são muitas opções de IAs generativas (um subcampo da IA) que estão permitindo que qualquer pessoa produza conteúdos, desde texto, imagens, vídeos, música, artes e até código para criar web sites.
Portando, a IA já vem sendo considerada por muitos a maior descoberta desde o fogo. Mas, será que existe algo mais a se inventar? A resposta é sim! E o próximo passo da evolução humana já tem nome: BCI ou Brain-Computer Interface. No português, Interfaces Cérebro-Computador.
Aliás, essa nova tecnologia já vendo sendo testada, inclusive, em humanos. Com isso, operar um drone, jogar videogame ou controlar um robô com o simples uso da mente são ações possíveis com ajuda de BCIs, que abrem caminho para avanços inimagináveis. Essencialmente, essa tecnologia que permite ao cérebro trocar sinais com um dispositivo externo, também representa uma ferramenta poderosa para, por exemplo, restaurar o movimento, a fala, o toque e outras funções em pacientes com danos cerebrais.
Resumidamente, um BCI mede a atividade cerebral (seja elétrica, magnética ou metabólica), transmite esses sinais para um dispositivo externo que responde executando ações determinadas. Os BCIs já estão sendo desenvolvidos e usados, por exemplo, para restaurar a comunicação e as funções motoras em pessoas com esclerose lateral amiotrófica (ELA), lesão medular, acidente vascular cerebral e síndrome de encarceramento e ajudar amputados a controlar braços robóticos, entre outras ações. A maioria dos BCIs depende de eletrodos para coletar dados sobre correntes e potenciais elétricos no cérebro, embora também existam tecnologias magnéticas, acústicas e infravermelhas. Em comparação com os eletrodos colocados no couro cabeludo, os BCIs implantados estão muito mais próximos dos neurônios que pretendem registrar e, portanto, fornecem um sinal mais limpo que é mais fácil para um computador decodificar e responder.
Mas é preciso “dar nome aos bois”, pois, é graças a visão futurista e empreendedora de algumas pessoas e empresas que a tecnologia BCI está avançando e cada vez mais próxima de entrar em uso popular.
Uma dessas pessoas é o multibilionário Elon Musk, bastante conhecido por todo o planeta, desde a ascensão e popularidade da Tesla à comercialização de viagens espaciais através da SpaceX. Musk parece ser um homem com a missão de revolucionar a nossa sociedade. Em 2020, ele concedeu uma entrevista coletiva falando em nome de um e seus muitos negócios, só que menos conhecido, chamado de Neuralink, empresa americana de neurotecnologia fundada em julho de 2016. A Neuralink é especializada no desenvolvimento de interfaces cérebro-computador (BCI) e que tem como objetivo principal ajudar pessoas, melhor dizendo, curar doenças neurológicas, como perda de memória, perda auditiva, depressão e insônia. E, ainda, melhorar potencialmente o desempenho de seres humanos saudáveis dotando-os com habilidades que vão desde a digitação por meio do pensamento, dirigir um carro usando a mente ou até mesmo para ampliação da memória.
Durante a entrevista, Musk comparou a tecnologia como “um Fitbit com fios minúsculos no crânio de uma pessoa”, ao apresentar o produto que mostrou a tecnologia implantada há mais de dois meses na cabeça de uma porca. O Neuralink BCI é um dispositivo do tamanho de uma moeda e é conectado por milhares de eletrodos amarrados ao cérebro. O dispositivo em questão mede os sinais elétricos emitidos pelos neurônios, uma vez que a velocidade e os padrões desses sinais são, em última análise, uma base para movimentos, pensamentos e recordação de memórias. Na época, Musk e a sua equipe da Neuralink já esperavam que aquela demonstração impulsionasse a tecnologia para futuros testes em seres humanos.
Enfim, a visão de Elon Musk de uma interface de “renda neural” trouxe o conceito de cérebros conectados à IA para o primeiro plano. Embora a ideia possa parecer absurda, as interfaces cérebro-máquina estão, na verdade, mais próximas do que a maioria das pessoas pensa. Neurocientistas e tecnólogos vêm trabalhando nesse conceito há anos. Aliás, a tecnologia já pode permitir que pessoas paralisadas e vítimas de AVC digitem usando a mente e controlem máquinas externas por meio de pensamentos – sem a necessidade de cirurgia cerebral.
Testes - Em fevereiro deste ano, matéria da CNBC (canal da NBC Universal) noticiou que uma equipe de profissionais de uma startup de interface cerebral, denominada Synchron, está trabalhando em uma tecnologia projetada para transformar a vida diária de pessoas com paralisia.
O Synchron Switch, nome dado à essa tecnologia, é implantado através dos vasos sanguíneos para permitir que pessoas com mobilidade física nula ou muito limitada operem aparelhos como cursores e dispositivos domésticos inteligentes usando a mente. Até fevereiro deste ano, a nova tecnologia havia sido testada, com certo êxito, em três pacientes nos Estados Unidos e em quatro na Austrália.
E os testes não param por aí. Muitas startups também estão trabalhando para avançar os BCIs e nos aproximar de um futuro entrelaçado cérebro-máquina, para fins médicos e muito mais.
A Paradromics, por exemplo, está desenvolvendo interfaces neurais massivamente paralelas, capazes de decodificar informações cerebrais em tempo real. A empresa afirma que suas “interfaces cérebro-máquina de próxima geração” acabarão por “aumentar em 1.000 vezes a taxa de transmissão de dados entre cérebros e computadores”. Eles denominam isso de banda larga para o cérebro.
Como parte de um contrato de US$ 18 milhões com a DARPA concedido em julho de 2017, a Paradromics pretende primeiro desenvolver um dispositivo implantável que possa ajudar as vítimas de derrame a reaprenderem a falar.
Por outro lado, a Kermel, que arrecadou US$ 100 milhões junto a agentes financeiros, espera iniciar testes clínicos para um microchip implantável no cérebro que eles chamam de “neuroprótese”. Seu dispositivo é semelhante àquele que demonstrou restaurar a memória e melhorar a recuperação de informações em ratos (de acordo com um estudo de 2011).
Tal como acontece com a Paradromics, o trabalho de outra empresa, a Kernel (NY) está atualmente focado no desenvolvimento de chips relacionados a doenças neurodegenerativas. Segundo a empresa, um dia sua tecnologia “imitará, reparará e melhorará” a cognição humana usando IA. A equipe percebe o trabalho como uma contribuição científica para “desbloquear o código neural” e estender a vida da mente humana.
O fundador e CEO da Kernel, Bryan Johnson, que anteriormente levou outra empresa sua, a Braintree, a uma aquisição de US$ 800 milhões pelo eBay em 2013, lançou a nova empresa também em 2016. Como Musk, ele vê a Kernel ajudando os humanos no acompanhamento dos avanços tecnológicos.
Enfim, desde que o ENIAC, o primeiro computador que podia ser operado por uma única pessoa, começou a exibir os seus contadores em anel no ano de 1946, os seres humanos e as máquinas de calcular têm estado numa marcha constante rumo a uma integração mais estreita. Na década de 1980, os computadores entraram nas residências, depois migraram para o colo, para os bolsos e para os pulsos. No laboratório, a computação chegou aos molares e ao globo ocular.
A conclusão lógica de tudo isso é que um dia os computadores entrariam no cérebro e, ao que parece, isso já está acontecendo com nova tecnologia BCI. Entretanto, na minha opinião, os BCIs ainda estão longe de serem uma tecnologia perfeita. Ainda não há como dizer que tipo de erros ou contratempos encontraremos à medida que empresas e indivíduos começarem a usar esses dispositivos no mundo real.
É esperar pra ver!