Cidades Tecnologia
Como se proteger contra golpes no PIX
40% dos usuários desse sistema de pagamento instantâneo já foram vítimas de alguma tentativa de golpe
22/01/2024 10h53
Por: Sthefano Scalon Cruvinel
foto: Divulgação

As transações por PIX aumentam a cada ano demonstrando que esse sistema de pagamento instantâneo caiu de vez no gosto do brasileiro. Segundo o Banco Central (BC), no final de 2023, o PIX alcançou 158,3 milhões de usuários cadastrados, dos quais, 144,8 milhões eram pessoas físicas (PJ) e 13,4 milhões pessoas jurídicas (PJ). Do montante total, 149,3 milhões fizeram ou ao menos receberam um valor via PIX. Entretanto, se por um lado essa forma de pagamento facilitou a vida das pessoas, por outro, criou mais um meio de fraude para os golpistas. Quatro em cada dez brasileiros já foram vítimas de alguma tentativa de golpe ao usar PIX e, desse grupo, 22% caíram efetivamente em fraudes e sofreram prejuízos. Como se não bastasse, 78% das vítimas caíram mais de uma vez em algum tipo de golpe envolvendo o PIX.

Esses dados compõem uma pesquisa da Silveguard, uma fintech de proteção financeira, feita a partir de questionário online com 1.910 pessoas (entre junho e julho de 2023), baseada em dados do Banco Central e de cinco mil denúncias de pessoas sobre golpes no site da empresa (coletadas entre maio e julho de 2023).

Ainda segundo o BC, em 2023, as transações por PIX cresceram 40% em comparação com 2022, alcançado o valor de R$ 15,3 trilhões em valores movimentados. O número é um recorde e representa um aumento de 194% na comparação com 2021, o primeiro ano completo de vigor desse sistema.

O sucesso dessa tecnologia do PIX é tanto que há previsão de sua expansão agora em 2024, quando o BC prevê lançar o PIX Automático, uma função semelhante ao débito automático em conta, o que deve ocorrer até o fim de outubro. O crescimento do PIX também levou o BC a decretar o fim das transações DOC/TED, como formas de pagamentos. Esses tipos de operações, existentes há quase quatro décadas, se tornaram obsoletas com o PIX.

Mas, o PIX é seguro?

Ao que parece, como foi concebido, o PIX é seguro sim. O PIX conta com mecanismos de criptografia e autenticação digital que lhe garantem ser tão seguro quanto métodos de transferências tradicionais via TED e DOC, que tiveram o fim agora em meados de janeiro. “Todos os dados das transações por PIX trafegam de forma criptografada na Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN), que é uma rede segura, apartada da internet e operada pelo Banco Central.

Contudo, o PIX por ter se tornado o principal meio para transações bancárias no Brasil, atraiu também os olhares de cibercriminosos.

Mas, se o sistema é seguro, como as fraudes acontecem?

Apesar dos mecanismos de segurança do PIX, criados pelo BC para proteção contra invasões e roubos de dados, eles não evitam a realização do que chamamos de “golpes de engenharia social”. São fraudes que utilizam a manipulação psicológica para persuadir os usuários a realizar uma determinada ação, como clicar em um link ou compartilhar informações pessoais. Assim, não há envolvimentos vulneráveis na tecnologia em si, mas nas atitudes do usuário.

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entre os golpes com PIX mais comuns estão:

1. Phishing: o fraudador envia uma comunicação falsa que parece ser de uma empresa ou instituição verdadeira, incentivando o usuário a clicar em um link onde são solicitadas suas informações pessoais;

2. QR Code fraudulento: os criminosos falsificam a fatura ou o site de uma empresa e incluem um QR Code fraudulento para a pessoa realizar o seu pagamento, de forma a roubar o valor transferido;

3. Clonagem do WhatsApp: o golpista finge ser de uma empresa onde a vítima tem cadastro e solicita um código de segurança que foi enviado via SMS. Assim, ele consegue clonar a conta de WhatsApp e se passa pelo usuário, solicitando dinheiro para os seus contatos;

4. Falso bug do Pix: nessa fraude, são compartilhados alertas em redes sociais, e-mail e SMS, informando que há uma falha no sistema do Pix e que, se a pessoa fizer uma transferência para uma determinada chave de Pix, ela pode receber o dobro do valor pago.

Apesar dos alertas dos golpes mais aplicados, é preciso ter atenção redobrada por parte dos usuários do PIX ao fazer alguma transação. Os golpistas estão sempre se reinventando e descobrindo novas formas de enganar as pessoas, então, o meu conselho é: todo cuidado é pouco quando a questão envolve transações financeiras. 

E quando o assunto é segurança, vale a pena citar algumas medidas de segurança durante as transações contra possíveis golpes. São elas:

1. Verificar a autenticidade das comunicações recebidas e dos sites acessados na internet — em caso de e-mails, por exemplo, vale conferir o remetente;

2. Nunca fornecer informações pessoais por telefone, por WhatsApp ou em páginas suspeitas;

3. Não clicar em links suspeitos recebidos por canais como redes sociais, e-mail, SMS e WhatsApp;

4. Em caso de dúvidas, acessar os canais oficiais das empresas e instituições para verificar se as mensagens recebidas são verdadeiras;

5. E, por fim, sempre conferir as informações do recebedor antes de realizar uma transferência por PIX.

Foi vítima de fraude, e agora?

Mas, se mesmo diante de todas as recomendações você ainda for vítima de fraude no PIX, os conselhos são os mesmos para qualquer outro tipo de golpe financeiro. O mais importante é agir rapidamente. Se isso acontecer, recomendo o seguinte: comece por registrar um boletim de ocorrência em uma delegacia de polícia mais próxima. Esse é um passo importante para documentar a fraude. Em seguida, você pode usar a plataforma do Governo Federal, consumidor.gov.br, para abrir uma reclamação contra o seu banco. Essa plataforma é uma ferramenta valiosa para resolver disputas com instituições financeiras. E, finalmente, se a resolução do problema não for possível por meio da plataforma mencionada, considere consultar um advogado especializado em questões financeiras para orientação legal.

Tempo é dinheiro quando se trata de um golpe, nesse caso, do PIX. E quanto mais rápido a vítima tomar medidas para recuperar o valor enviado aos golpistas, maiores são as chances de obter o dinheiro de volta.