Cidade Câncer de Mama
365 Dias: A Jornada de Elaine Camargo Contra o Câncer de Mama
Saiba como foi receber uma notícia grave e como isso a afetou
13/02/2025 16h00
Por: Lawrence Borges
Foto: Capa do livro 365 DIAS

Como foi o momento em que você recebeu o diagnóstico de câncer de mama? Quais foram seus primeiros pensamentos e sentimentos?

Sou personal trainer, minha aluna ao início da aula me abraçava e colocava sua cabeça em meu peito e neste momento senti uma fisgada com dor aguda em um determinado ponto em minha mama e ficou dolorido, levei minha mão ao local da dor e senti um nódulo palpável, um carocinho saliente e muito dolorido ao toque. Isso aconteceu em abril de 2023, após perceber o nódulo fiz uma mamografia, depois ultrassonografia e em seguida biópsia. O resultado foi Carcinoma Grau III Triplo Negativo, neste momento se constatou o câncer de mama.

Os meus primeiros pensamentos foram de morte, vou morrer e não participarei mais de momentos com os meus filhos, com os meus familiares e com todas as pessoas que amo; sentimento de angústia, tristeza profunda, sem perspectivas, com o horizonte pequeno e sombrio e de impossibilidades diante da Vida, neste momento abriu-se um buraco negro em minha frente, o pensamento de morte era muito presente e pesado.

Como foi o processo de aceitação da doença e como você compartilhou essa notícia com sua família e amigos?

Saber que tenho uma doença grave e de diagnóstico difícil não é fácil, mesmo sabendo que a medicina está avançada em pesquisas e atualizada em medicações o medo toma uma proporção grande dentro de mim. É um processo lento de assimilação de ideias e de informação que chegam até mim e de informações que fui procurar, fui em busca de pensamentos íntimos, meus desejos, meus sonhos, minhas vontades, minhas perspectivas de vida, identificar meus sentimentos verdadeiros, achar minha coragem e conectar com o meu Eu. A minha espiritualidade me ajudou muito a trazer a consciência da existência e de meu propósito de vida, fortaleci essa conexão e os meus sentimentos foram se acomodando em seus devidos lugares e ordens e a medida que fui respirando e respirando fundo, fui tomando o sentido do diagnóstico câncer de mama e procurando encontrar caminhos na medicina alternativa que pudessem me ajudar além dos caminhos de tratamentos da medicina tradicional.

Deste o abraço de minha aluna a Família ficou ao meu lado, não tive nenhum passo sem que minha Filha, meu Filho e minha Irmã estivessem presentes e toda a Família acompanhando. No decorrer dos dias contei para algumas amigas e amigos, mais íntimos, sobre o meu diagnóstico câncer de mama, a cada um que contava, um susto! Não quis compartilhar muito o meu diagnóstico, me sentia ainda fragilizada, sentia a necessidade de me fortalecer e de recompor em energias e vitalidade, optei por um recolhimento e no fortalecimento de minha relação, EU com EU.


Quais foram os principais desafios físicos e emocionais que você enfrentou durante o tratamento?

Saber que tenho um diagnóstico de câncer e preciso fazer quimioterapias, radioterapia, cirurgia e mais algumas outras medicações, ir à médicos, mudar rotinas, fazer exames... não é fácil e devido as informações que chegam até nós sobre o câncer  e na maioria das vezes são informações não muito agradáveis e até triste, o psicológico, sentimentos e pensamentos devem estar alinhados e isso procurei muito, e a todo momento que percebia um pequeno desalinhamento forçava a via contrária para que voltássemos (Eu com Eu)  a coerência, pé no chão, seguir com coragem, colocar cada pensamento, cada emoção em seus devidos lugares, em sua devida caixinha preta dentro do meu cérebro, que ficaram todas abertas e sem saber a direção certa a seguir, um caos, e adequar as ideias no alinhamento do processo é uma vigilância constante, digo que até enquanto dormia tinha que estar atenta a minha mente, aos meus sonhos, as minhas percepções e aos meus sentimentos, fiz uma conexão intensa, íntima e direta com meu coração, minha essência e meus valores.

Como foi sua experiência com os diferentes tipos de tratamento, como quimioterapia, radioterapia ou cirurgias? Algum momento foi especialmente marcante?

Em consulta com o oncologista foi tabulado o tratamento de quimioterapia (brancas e vermelhas) associada a imunoterapia, que o meu tipo de câncer Triplo Negativo permitiu essa associação e a cirurgia seria posteriormente.

Iniciei a minha primeira sessão de quimioterapia associada com a medicação imunoterapia e fiz ao mesmo tempo a crioterapia (touca de resfriamento, hipotérmica que ajuda a reduzir a queda de cabelo), minha irmã me acompanhando começou a administrar as medicações e fui me percebendo com sono e adormeci. Tive um sono profundo, que me sentia nas profundezas, mas consciente a tudo que acontecia a minha volta, as falas das pessoas que ali estavam, entravam e saiam do quarto onde eu estava recebendo a medicação. Acabou a medicação, ainda muito sonolenta, fomos embora, não conseguia abrir meus olhos, o meu corpo pesado, pernas devagar a dar os passos, com vontade de deitar e dormir, era mais forte que eu, chegamos em casa fui deitar e ali dormi muito, a medicação aconteceu na parte da manhã, foram quase 4 horas de medicações/touca e dormi até as 21 horas. Acordei, me alimentei e voltei a dormir e fui até o outro dia. No outro dia quando acordei percebia o meu corpo ainda lento mas disposto, não tive nenhum outro sintoma como vômito, náuseas e falta de apetite, como é de costume e na normalidade sentir esses sintomas quem faz quimioterapia.

E assim foram as demais quimioterapias, imunoterapias /touca, o meu único sintoma as medicações era o sono profundo e consciente, no outro dia dava notícias de tudo que me acontecia, de todas as conversas ali no momento de medicação.

Na nona quimioterapia, tive uma intercorrência grave, com quadro alérgico, pressão alta e sintomas neurológicos, fui de ambulância para a UTI do hospital, onde tive uma experiência de QM. Graças à Deus estou sem sequelas, e continuamos as medicações e após a décima quimioterapia, já vermelha, tive uma neutropenia ficando internada cinco dias no hospital até normalizar as taxas.

Em janeiro de 2024 foi realizada a cirurgia quadrantectomia, após radioterapia e terminei as medicações de imunoterapia em agosto de 2024. Todas essas etapas foram tranquilas, a cicatrização da cirurgia foi perfeita, as radioterapias foram tranquilas sem nenhuma ferida, somente com a pele mais sensível.


Em meio a tantas mudanças e desafios, o que lhe ajudou a manter a força e o equilíbrio emocional?

Ter câncer de mama é receber um diagnóstico assustador com tarja preta, de morte mesmo, lidar com essas informações para mim não foi nada fácil, mas foi possível. Tenho a espiritualidade/religião a me ajudar e me sustentar nos meu princípios, tenho comigo que nada nessa vida é por acaso, tudo tem uma razão de ser e sempre acontece o melhor, por pior que pareça. Ter câncer não é afinal o fim de tudo, comecei a analisar o porquê do meu diagnóstico, o que teria de mensagem a me dizer, qual ensinamento tragaria e qual o significado deixaria, muitos questionamentos, muitas perguntas, muita ansiedade, muita preocupação, enfim, é tudo muito! Me vi em desafios há tantas mudanças rápidas no meu dia a dia, comecei a organizar minha mente com as emoções, sentimentos, pensamentos e questionamentos, busquei no Amor e na Fé a força para o autoamor, para o autoconhecimento e para o autoperdão, uma busca interna, para dentro, importar, a me conhecer melhor, a me sentir e saber o que acontece dentro de mim quando tenho emoções vividas, pensamentos abordados, de como o meu organismo funciona a cada estímulo e de desenvolver minhas sensibilidades em saber como o meu corpo dá sinal de tudo que me acontece no sentido de me ajudar.

E desta forma que foi construída a minha fortaleza, reunir as forças da coragem no ânimo da vida passo a passo, mantendo a cada dia o seu cuidado e um pouco a cada dia, acreditando que a cada amanhecer é um novo dia, uma nova oportunidade de fazer diferente e melhor à medida do possível, saber que o hoje pode ser melhor que ontem e construir ou reconstruir valores e ideias que sustentam de forma mais segura a Vida, é um processo maravilhoso de amadurecimento e de evolução. E juntamente com o meu sorriso, adoro o meu sorriso, sinto que transmito uma alegria, contentamento e felicidade. O sorriso dá brilho aos meus olhos e estes refletem a fisiologia do meu coração. Desde o diagnóstico de câncer de mama, procurei não perdê-lo. É lógico que houve dias em que ele estava um pouco sem brilho e, em alguns outros, as lágrimas impediam que ele se manifestasse. Mas a vontade que eu tinha era de nunca parar de sorrir, de nunca perder o meu sorriso, que é minha marca, e entendo que sorrisos são como raios de sol em dias nublados, nessa linha fui em frente no fortalecimento do Euzinha, Elaine.


O que a motivou a transformar essa experiência em um livro? Como surgiu a ideia de escrever "365 Dias Diagnóstico: Câncer de Mama"?

Quando estávamos terminando as medicações após a cirurgia, em uma consulta, o meu oncologista Dr Rodolfo Gadia, me sugeriu escrever um livro, relatando todo o meu processo com minhas percepções, sensibilidades, de forma a levar todos os meus cuidados a mais pessoas com diagnóstico câncer de mama, já que tive como único sintoma o sono profundo e consciente, e como esse único sintoma não é muito comum me passou a ideia. Foi uma sementinha ali deixada com carinho, respeito e amor! Sai dali com os pensamentos a mil, imagina, escrever um livro!

Como foi o processo de escrita? Você encontrou dificuldades ou foi algo que fluiu naturalmente?

Quando percebi o nódulo e começou todas as visitas aos médicos, fazer exames, enfim tudo o que se precisa fazer a uma dor constatada, Euzinha comecei a registrar de alguma forma (escrita ou falada) tudo o que estava me acontecendo, as minhas dúvidas, as minhas percepções, os meus sentimentos, os meus medos, os caminhos que eu tinha e os que eu queria seguir, os que não deveria dar importância, foram anotações de tudo o que eu pensava e de tudo o que eu já estava fazendo na medicina alternativa, minhas meditações, tratamentos de magnetismo, ativação frequencial, tratamento espiritual. E quando o Dr Rodolfo colocou a sementinha da ideia do livro e fui cada vez mais pensando no livro, foi clareando a memória de todo o material que construí deste o início do diagnóstico.

A partir daí comecei a amadurecer a ideia, fiz curso de como escrever um livro: regras, gênero literário, estrutura da obra, desenvolver personagem/diálogos, objetivo, decidir capítulos, paginação, capa, contracapa, editora...me vi em um mundo maravilhoso que é o literário.

A medida que o aprendizado foi se fortalecendo, comecei a escrever o meu livro, no quarto dia de escrita, percebi que estava escrevendo no mesmo horário e durante de tempo, isso me chamou a atenção. A cada dia antes de começar a escrever no meu notebook, fazia uma prece e pedia auxílio a espiritualidade, que me ajudasse nesse trabalho, percebi a assistência, e assim foram os dias seguintes para a construção do livro, segui fielmente a todos os meus escritos e áudios. Desta forma o livro fluiu, ficou pronto na escrita, encaminhei a editora CRIVO EDITORIAL, onde fui muito feliz em todas as etapas de fabricação do livro e estou realizada com o produto final. Percebi que o livro já foi programado muito antes de pensar em escrevê-lo!

Qual a principal mensagem que você deseja passar para os leitores com sua obra?

Tudo nessa vida passa! A dor passa, a doença passa, a tristeza passa, as preocupações passam, assim como a alegria também passa, e o que importa nessa vida é o passar, é como você se dedica e dá importância ao passar pelo processo, seja ele qual for, bom ou ruim, é o mesmo passar.

Viver o presente, o agora é de um valor imensurável, aproveitar a vida na sua grandiosidade, na sua essência, ela passa também e as nossas escolhas vão direcionar o caminho, valorizar o caminho a ser escolhido e o sorriso deixa mais leve o caminho, acredite!!

O que mudou em sua vida depois dessa experiência e da publicação do livro?

Escrever o livro foi para mim fechar um ciclo, é pura gratidão a tudo que me aconteceu, foi colocar um ponto final ao vivido e levar comigo os aprendizados para colocá-los em prática. Valorizar mais o meu sorriso, as pessoas a minha volta, as minhas percepções, sentimentos, me ouvir, viver o agora, o presente da melhor maneira possível e afinal o futuro depende desse agora bem vivido e bem sentido. Sou Grata ao câncer, sem ele não seria essa pessoa que sou hoje e que gosto mais, estou feliz comigo e me amo melhor!

Alegria de poder levar a minha História de Vida, partilhar as minhas vivências e atitudes, de poder levar uma inspiração na vida de todas as pessoas que tenham o diagnóstico câncer de mama e de poderem saber que o caminho pode ser leve, basta termos consciência de nossas escolhas!

Onde o livro pode ser encontrado?

Através do meu contato:

Elaine Camargo - (34) 99898-8380

Editora Crivo