Gastronomia GASTRONOMIA
Da perda ao sucesso: a história da confeiteira que transformou receitas caseiras em referência nacional
Após recomeçar aos 42 anos, Solange Martins construiu um negócio reconhecido por artistas e hoje mantém duas lojas no Triângulo Mineiro
30/12/2025 16h35
Por: Fernando Dorneles

A vida de Solange Martins mudou de forma radical no início da década de 1990. Em março de 1990, o confisco da poupança anunciado pelo então presidente Fernando Collor de Mello levou ao fechamento da confecção de moda que ela mantinha e a obrigou a buscar novos caminhos. O que poderia representar o fim de uma trajetória profissional se transformou no ponto de partida de uma história marcada por superação, afeto e sabores que conquistaram o Brasil.

Aos 42 anos, Solange deixou para trás o universo dos tecidos e passou a dedicar-se à cozinha, atividade que sempre fez parte de sua rotina familiar. Morando no Rio de Janeiro na época, começou a produzir pães de queijo e tortas de maneira artesanal, com receitas inspiradas em diferentes países, mas sempre preservando o preparo caseiro. O cuidado com a padronização e a qualidade constante dos produtos se tornaram marcas registradas do trabalho que, aos poucos, ganhou notoriedade.

O período também foi marcado por uma perda pessoal profunda. Ainda em 1990, Solange perdeu a filha Fabiana, aos 19 anos, em um acidente de carro. Segundo ela, foi o trabalho na cozinha que ajudou a atravessar o luto e a reconstruir, pouco a pouco, o sentido da vida. Entre massas, fornos e receitas, encontrou não apenas sustento, mas também uma forma de seguir em frente.

O reconhecimento veio quando suas tortas passaram a circular entre artistas e profissionais da televisão, impulsionadas pelo boca a boca. A partir daí, o negócio cresceu, chegou a São Paulo e passou a fornecer produtos para restaurantes e clientes de diferentes segmentos. Com a marca já consolidada, Solange decidiu retornar ao Triângulo Mineiro, onde abriu a primeira unidade do Tortas da Solange e, anos depois, expandiu com uma segunda loja.

Hoje, aos 77 anos, Solange comanda um negócio que se tornou referência regional, unindo técnica, memória afetiva e receitas que atravessaram gerações. Em 2025, a abertura da segunda unidade confirmou a força da marca e a capacidade de reinvenção de quem transformou um momento de crise em um império doce.

Para celebrar essa trajetória, a confeiteira também compartilha receitas em datas especiais, como o réveillon, mantendo viva a proposta que deu origem a tudo: cozinhar com cuidado, simplicidade e carinho, levando à mesa mais do que doces, mas histórias e afetos.