Uma mulher de 20 anos, moradora de Uberlândia, foi resgatada na última terça-feira (6) de uma situação de cárcere privado no município de Canindé de São Francisco, no interior de Sergipe. A ação foi resultado de uma operação conjunta das Polícias Civil e Militar do estado e encerrou um período de quase um ano em que a jovem vivia sob controle absoluto do companheiro, sem liberdade de locomoção ou contato livre com familiares.
De acordo com as investigações, a vítima conheceu o suspeito no fim de 2024, por meio de um aplicativo de mensagens, enquanto passava as festas de fim de ano na cidade de Jequitaí, em Minas Gerais. Após o início do relacionamento virtual, ela aceitou um convite para viajar com o homem até Recife, em Pernambuco, e desde então passou a viver uma rotina marcada por isolamento e dependência.
Segundo a polícia, a jovem era impedida de sair sozinha, tinha as conversas com familiares monitoradas, teve o celular quebrado pelo companheiro e os cartões bancários retidos, o que a deixou completamente dependente financeiramente. O caso já vinha sendo acompanhado pela Polícia Civil de Minas Gerais, que chegou a organizar uma tentativa de resgate em Pernambuco. Na ocasião, porém, o suspeito conseguiu fugir antes da chegada dos agentes.
Com novas informações indicando que o casal estaria em Sergipe, uma força-tarefa passou pelos municípios de Campo do Brito e Nossa Senhora da Glória até localizar o endereço em Canindé de São Francisco. No momento da abordagem, a vítima foi encontrada em estado de intenso abalo emocional, chorando e demonstrando medo constante.
Durante as buscas no imóvel, o homem foi preso em flagrante. No local, os policiais apreenderam uma pistola calibre .380 com 59 munições, um revólver calibre .38 com 19 munições, além de joias, cheques e notas promissórias que ultrapassam R$ 1 milhão em valores, cuja origem ainda será investigada.
O suspeito foi autuado pelos crimes de cárcere privado e porte ilegal de arma de fogo, sendo encaminhado para audiência de custódia e permanecendo à disposição da Justiça sergipana. A operação contou com apoio da área de inteligência policial e de unidades especializadas que atuam em regiões de caatinga.