A confirmação de novos casos do vírus Nipah na Índia acendeu o alerta em países vizinhos da Ásia, que decidiram intensificar medidas de vigilância sanitária em aeroportos internacionais. Tailândia, Nepal e Taiwan retomaram protocolos rígidos de verificação de saúde, inspirados nas estratégias adotadas durante a pandemia de covid-19.
As ações incluem triagens médicas mais detalhadas, monitoramento de passageiros provenientes de áreas consideradas de risco e reforço na orientação a equipes aeroportuárias. A mobilização ocorre após a identificação de cinco infecções na região de Bengala Ocidental, no leste da Índia.
Segundo informações divulgadas pela News 18, afiliada da CNN no país, os casos atingiram profissionais da área da saúde. Autoridades indianas afirmam que os pacientes estão sendo acompanhados e que, até o momento, não há indícios de disseminação fora do controle esperado.
Descoberto em 1999, o vírus Nipah já provocou surtos esporádicos no Sudeste Asiático ao longo das últimas décadas. A doença preocupa especialistas por apresentar alta taxa de letalidade e possibilidade de transmissão entre pessoas, especialmente em ambientes hospitalares, o que explica a reação preventiva dos governos da região.
No Brasil, especialistas avaliam que o risco é baixo. A infectologista Rosana Ritchmann afirma que não há motivo para alarme entre a população brasileira, sobretudo para quem não tem histórico recente de viagem às áreas afetadas.
“Não existe relação entre sintomas respiratórios comuns no Brasil e o vírus Nipah. Tosse, dor de cabeça ou febre, neste momento, não indicam esse tipo de infecção”, explicou.
Ainda assim, a médica defende que o episódio sirva como alerta para o planejamento sanitário. Segundo ela, é importante que o país tenha protocolos definidos caso surja alguma suspeita envolvendo viajantes que retornem da região onde os casos foram registrados.
Ritchmann destaca que um eventual plano de resposta deve prever isolamento, acompanhamento do período de incubação e rastreamento de contatos, de forma semelhante ao que foi adotado em outras emergências sanitárias globais.