Internacional Putin e Trump
Mundo entra em nova corrida nuclear sem o “último freio” diplomático
O cenário de segurança global sofreu uma mudança drástica nesta quarta-feira (4), com o vencimento do tratado New START.
05/02/2026 08h34 Atualizada há 5 meses
Por: Redação 02
Encontro de Putin e Trump no Alasca — Foto: Drew Angerer/AFP

Sem a renovação do acordo entre Estados Unidos e Rússia, as duas maiores potências atômicas do planeta estão, pela primeira vez desde a Guerra Fria, sem limites legais para a produção e o posicionamento de ogivas nucleares.

Especialistas alertam que o vácuo deixado pelo tratado inaugura a "3ª Era Nuclear", caracterizada pela desconfiança mútua e por uma competição tecnológica acelerada pela Inteligência Artificial.


O que era o New START?

Assinado em 2010, o tratado funcionava como o pilar de estabilidade entre Washington e Moscou. Suas principais diretrizes incluíam:

"O fim do New START remove o último freio institucional que continha a corrida armamentista. Sem ele, cada lado passa a planejar suas forças assumindo o pior cenário possível em relação ao adversário", explica Vitelio Brustolin, professor da UFF e pesquisador de Harvard.


O "Fator China" e a Nova Geopolítica

Diferente das décadas anteriores, a polarização não é mais apenas entre EUA e Rússia. A ascensão da China como superpotência nuclear alterou o cálculo estratégico de Washington.


Riscos da "3ª Era Nuclear"

A ausência de tratados internacionais gera um efeito cascata que vai além das grandes potências:

  1. Proliferação Horizontal: Países como Alemanha, Coreia do Sul e Japão começam a discutir a necessidade de arsenais próprios ou compartilhados para autodefesa.

  2. O Perigo da IA: Com o advento de mísseis hipersônicos, a velocidade de resposta exigida é superior à capacidade humana. O risco reside na delegação de decisões de disparo a sistemas de Inteligência Artificial.

  3. Alianças Nucleares: O exemplo da Arábia Saudita, que busca garantias nucleares através do Paquistão, sinaliza uma nova forma de acesso a armas de destruição em massa.

País Ogivas Estimadas
Rússia 5.429+
EUA 5.177+
China 600 (em rápida expansão)
Outros (França, Reino Unido, etc.) ~1.000 somados

 

O Futuro da Segurança Europeia

O impacto é sentido de imediato na Europa. O chanceler alemão, Friedrich Merz, recentemente sinalizou ao Parlamento Europeu que o bloco precisa debater seriamente o futuro de suas políticas nucleares diante da nova postura russa e da incerteza sobre o "guarda-chuva" de proteção dos EUA.

O veredito dos analistas é unânime: o mundo tornou-se mais incerto e a segurança internacional agora depende menos de assinaturas em papel e mais da contenção tecnológica e da racionalidade individual de seus líderes.