Sem a renovação do acordo entre Estados Unidos e Rússia, as duas maiores potências atômicas do planeta estão, pela primeira vez desde a Guerra Fria, sem limites legais para a produção e o posicionamento de ogivas nucleares.
Especialistas alertam que o vácuo deixado pelo tratado inaugura a "3ª Era Nuclear", caracterizada pela desconfiança mútua e por uma competição tecnológica acelerada pela Inteligência Artificial.
Assinado em 2010, o tratado funcionava como o pilar de estabilidade entre Washington e Moscou. Suas principais diretrizes incluíam:
Teto de ogivas: Limite de 1.550 ogivas prontas para uso imediato por país.
Limitação de vetores: Máximo de 700 lançadores (mísseis balísticos e bombardeiros) implantados.
Transparência: Até 18 inspeções anuais in loco e compartilhamento de dados técnicos.
"O fim do New START remove o último freio institucional que continha a corrida armamentista. Sem ele, cada lado passa a planejar suas forças assumindo o pior cenário possível em relação ao adversário", explica Vitelio Brustolin, professor da UFF e pesquisador de Harvard.
Diferente das décadas anteriores, a polarização não é mais apenas entre EUA e Rússia. A ascensão da China como superpotência nuclear alterou o cálculo estratégico de Washington.
Expansão chinesa: Pequim produz cerca de 100 novas ogivas por ano e concluiu a construção de 350 silos de mísseis em 2025.
Impasse diplomático: Donald Trump defende que qualquer novo acordo deve incluir a China; Xi Jinping recusa, alegando que seu arsenal ainda é numericamente inferior aos dos rivais.
Foco Americano: O Departamento de Defesa dos EUA já prioriza a contenção de Pequim, tratando a Rússia como uma ameaça secundária ou estritamente regional.
A ausência de tratados internacionais gera um efeito cascata que vai além das grandes potências:
Proliferação Horizontal: Países como Alemanha, Coreia do Sul e Japão começam a discutir a necessidade de arsenais próprios ou compartilhados para autodefesa.
O Perigo da IA: Com o advento de mísseis hipersônicos, a velocidade de resposta exigida é superior à capacidade humana. O risco reside na delegação de decisões de disparo a sistemas de Inteligência Artificial.
Alianças Nucleares: O exemplo da Arábia Saudita, que busca garantias nucleares através do Paquistão, sinaliza uma nova forma de acesso a armas de destruição em massa.
| País | Ogivas Estimadas |
| Rússia | 5.429+ |
| EUA | 5.177+ |
| China | 600 (em rápida expansão) |
| Outros (França, Reino Unido, etc.) | ~1.000 somados |
O impacto é sentido de imediato na Europa. O chanceler alemão, Friedrich Merz, recentemente sinalizou ao Parlamento Europeu que o bloco precisa debater seriamente o futuro de suas políticas nucleares diante da nova postura russa e da incerteza sobre o "guarda-chuva" de proteção dos EUA.
O veredito dos analistas é unânime: o mundo tornou-se mais incerto e a segurança internacional agora depende menos de assinaturas em papel e mais da contenção tecnológica e da racionalidade individual de seus líderes.