O asfalto que corta o Triângulo Mineiro volta a ser motivo de preocupação nacional. De acordo com o mais recente painel da Confederação Nacional do Transporte (CNT), um trecho específico da BR-365, localizado dentro do município de Uberlândia, foi classificado como um dos dez mais perigosos de todo o estado de Minas Gerais.
A análise leva em conta não apenas a quantidade bruta de ocorrências, mas a severidade dos acidentes, cruzando dados de colisões com o número de vítimas fatais e feridos graves.
O trecho crítico compreende principalmente o perímetro urbano de Uberlândia, onde o fluxo de veículos de passeio se mistura intensamente com o transporte pesado de carga.
Ponto Crítico: Entre os km 600 e 620.
Principais Causas: Colisões transversais (comuns em cruzamentos e retornos) e saídas de pista.
Fator de Risco: A combinação de alta velocidade com a imprudência em áreas de acesso a bairros.
Minas Gerais possui a maior malha rodoviária do país e, consequentemente, números alarmantes. Estar entre os 10 trechos mais perigosos em um estado que conta com rodovias críticas como a BR-381 (conhecida como "Rodovia da Morte") e a BR-040 ressalta a urgência de intervenções na região de Uberlândia.
Especialistas em trânsito apontam que a rodovia sofre com o "gargalo logístico". Como Uberlândia é um hub de distribuição nacional, o volume de caminhões é desproporcional à infraestrutura de algumas passagens de nível.
"O problema da BR-365 em Uberlândia é o conflito entre o trânsito local, de quem está indo para o trabalho ou escola, e o trânsito de longa distância. Essa mistura, sem a devida separação por vias marginais adequadas, é a receita para o desastre", afirma o levantamento.
O que dizem as autoridades?
A concessionária responsável e os órgãos de infraestrutura frequentemente mencionam planos de duplicação e melhorias em viadutos, mas o ritmo das obras muitas vezes não acompanha o crescimento da frota urbana. Enquanto as melhorias estruturais não chegam em sua totalidade, a recomendação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) permanece a mesma: atenção redobrada e respeito rigoroso aos limites de velocidade, que variam drasticamente ao entrar no perímetro urbano.