Um documento oficial da Justiça Eleitoral trouxe novos elementos para a ação que pede a perda do mandato do vereador Ronaldo Tannús (Podemos), em Uberlândia. A certidão assinada pelo oficial de Justiça responsável pela entrega da citação apresenta uma versão diferente daquela divulgada pelo parlamentar em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (10).
No vídeo, Tannús afirma que não tinha conhecimento da presença do oficial de Justiça no momento em que estava participando das atividades legislativas. Entretanto, segundo o documento encaminhado à Justiça Eleitoral, o oficial relata ter encontrado pessoalmente o vereador no gabinete da Câmara Municipal durante tentativa de cumprimento da citação referente ao processo por suposta infidelidade partidária.
De acordo com a certidão, ao ser abordado, o vereador teria informado que atenderia o servidor em “um minuto” e, em seguida, entrou em seu gabinete. O oficial afirma que aguardou por mais de 30 minutos, período em que recebeu sucessivas informações de assessores de que seria atendido em breve. Posteriormente, foi informado de que o parlamentar havia deixado o local por outra saída e não retornaria para o atendimento.
Após novas tentativas sem sucesso, o oficial registrou a situação como possível ocultação e realizou a chamada citação por hora certa, mecanismo previsto na legislação para situações em que há indícios de que o destinatário está evitando deliberadamente receber a comunicação judicial. O documento também relata que uma assessora do vereador teria se recusado a receber a citação e a assinar o recebimento.
A ação em tramitação no Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais foi proposta pelo primeiro suplente do PSDB, Guilherme Pinheiro Freitas. O processo questiona a troca partidária de Ronaldo Tannús, eleito pela Federação PSDB/Cidadania em 2024 e atualmente filiado ao Podemos. O autor sustenta que a mudança ocorreu sem justificativa legal e requer a perda do mandato por infidelidade partidária.
A defesa do vereador afirma que apresentou à Justiça os fundamentos que justificariam sua saída do PSDB. Até o momento, o processo segue em tramitação e caberá à Justiça Eleitoral analisar os argumentos apresentados pelas partes antes de qualquer decisão sobre o mandato.