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Vinhos e tal, 26 de Junho de 2026
Jornal de Uberaba
26/06/2026 13h10
Por: Redação 02

UM VINHO DIFERENTE DO PIEMONTE

Hoje o destaque é para um vinho italiano, branco da região do Piemonte. Ele é feito de uma uva de nome Arneis. Esta uva é um dos tesouros mais fascinantes do Piemonte. Frequentemente chamada de "a joia branca de Roero", ela tem uma história de superação notável e um perfil sensorial que encanta quem busca vinhos brancos com personalidade.

O nome "Arneis" vem do dialeto piemontês e significa, aproximadamente, "pequeno malandro" ou "difícil". Esse apelido não é por acaso: a casta sempre foi conhecida por ser temperamental no vinhedo, exigente com o solo e suscetível a doenças, o que levava a rendimentos variáveis e dificultava o trabalho dos produtores.

Sua história remonta ao século XV no Piemonte. Durante muito tempo, foi usada como uma "uva de proteção" ou complemento: como era muito aromática e atraía pássaros, era plantada junto às videiras de Nebbiolo para que estes atacassem a Arneis, preservando a preciosa uva tinta. Além disso, pequenas porções eram adicionadas ao mosto da Nebbiolo para suavizar seus taninos agressivos e conferir mais perfume ao corte final.

Nas décadas de 1970 e 1980, a casta chegou muito perto da extinção, pois os produtores preferiam variedades mais fáceis de cultivar e com maior retorno comercial. A salvação da Arneis veio graças a visionários produtores como Bruno Giacosa e a vinícola Vietti, que acreditaram no potencial da uva e iniciaram um processo de resgate. Hoje, ela é uma das castas brancas mais prestigiadas do Piemonte, com destaque para a denominação Roero Arneis DOCG.

Cultivo e Características

O Plantio: É uma uva que exige atenção constante. Prefere solos calcários e arenosos (típicos de Roero e partes de Langhe), que ajudam a drenar a água e contribuem para a elegância e mineralidade do vinho.

A Colheita: Geralmente ocorre em um período que busca equilibrar o amadurecimento dos açúcares com a manutenção da acidez vibrante. Por ser uma uva delicada, a colheita cuidadosa é essencial para evitar a oxidação prematura.

O Vinho: Os vinhos costumam apresentar coloração amarelo-palha com reflexos esverdeados. No nariz, são complexos: notas de pêssego, pera, maçã, melão e toques de flores brancas (acácia, jasmim), muitas vezes acompanhados por um traço sutil de avelã ou amêndoa. No paladar, destacam-se pela textura cremosa, corpo médio, acidez refrescante e um final mineral persistente.

Harmonização

A Arneis é uma das castas mais versáteis do Piemonte para a mesa:

Frutos do Mar e Peixes: O frescor e a mineralidade cortam a gordura de peixes grelhados ou crustáceos.

Cozinha Vegetariana: Pratos com alcachofras (uma das harmonizações mais clássicas), aspargos ou massas com molhos leves de legumes e pesto realçam seu lado aromático.

Queijos: Queijos de cabra ou de massa mole equilibram perfeitamente com a cremosidade natural da uva.

Sugestão de Vinho

O Langhe Arneis "Barivel" da Cascina Galarin

A Cascina Galarin, localizada em Treiso (no coração de Langhe), é um exemplo de produtores que tratam o terroir com profundo respeito — desde 2016, a vinícola possui certificação orgânica.

O Langhe Arneis DOC "Barivel" é uma expressão muito fiel e elegante da casta. Alguns pontos sobre este vinho:

Origem das uvas: A vinícola utiliza uvas cultivadas em Neive, uma área renomada em Barbaresco, conhecida por solos com alta concentração de carbonato de cálcio, o que confere ao Barivel uma mineralidade estruturada e complexidade extra.

Perfil: É um vinho que entrega o clássico buquê de pera madura e pêssego, com um toque cítrico e nuances de flores brancas. Na boca, apresenta-se tenso, limpo e com aquela persistência característica que faz da Arneis uma experiência memorável.

Estilo: É um vinho seco, equilibrado e muito gastronômico, refletindo o cuidado da família, que produz vinhos desde 1781, em preservar a autenticidade das variedades piemontesas.

Cascina Galarin

A história da propriedade remonta a 1781, quando os ancestrais da família Carosso construíram manualmente a adega que ainda hoje é utilizada. O nome "Galarin" é um apelido familiar histórico, inspirado em um galo esculpido na porta de madeira da casa original. Durante muito tempo, a família vendeu vinho a granel, mas no final dos anos 80, sob a orientação do enólogo Giuseppe Carosso, a vinícola iniciou uma importante mudança de paradigma: começaram a engarrafar vinhos próprios, focando na qualidade meticulosa do vinhedo e no respeito ao terroir.

A vinícola se destaca pelo compromisso com a sustentabilidade. Desde a safra de 2016, a Cascina Galarin é oficialmente certificada como orgânica. Como filosofia de produção acreditam que a qualidade nasce no vinhedo. Não utilizam herbicidas nem pesticidas químicos, incentivando o desenvolvimento de diferentes tipos de gramíneas entre as fileiras de videiras para promover a biodiversidade e a saúde do solo. A colheita é feita com seleção manual apenas dos melhores cachos, garantindo que a expressão natural das variedades seja preservada durante a vinificação e o envelhecimento.

Onde encontrar 

www.vinoimportadora.com.br