Ciência Ciência
Reprodução assistida avança e amplia chances de gravidez
Com o adiamento da maternidade, cresce a busca por tratamentos de fertilidade. Médica especialista em reprodução humana esclarece as indicações da ...
02/07/2026 13h03
Por: Redação Fonte: Agência Dino

De acordo com dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), publicados pelo Jornal USP, nos últimos anos, houve um avanço significativo nos tratamentos de reprodução assistida no Brasil. Em 2023, foram congelados 115.318 embriões, volume 32,8% superior ao registrado em 2020, quando o total foi de 86.833.

O levantamento também aponta crescimento no número de ciclos de reprodução assistida, etapa que engloba desde o descongelamento dos óvulos até o nascimento do bebê. Em 2023, foram contabilizados 56.578 ciclos, representando um aumento superior a 35% em relação aos 41.586 procedimentos realizados em 2020.

Médica especialista em Reprodução Humana e diretora médica da Clínica Arminio Collier, em Recife (PE), a Dra. Gabriella Maciel Collier afirma que a área passou por uma profunda transformação nas últimas décadas.

Segundo ela, avanços como a vitrificação, técnica de congelamento ultrarrápido que preserva óvulos e embriões com elevadas taxas de sobrevivência, o cultivo embrionário até o estágio de blastocisto e a realização de testes genéticos pré-implantacionais elevaram significativamente as taxas de sucesso dos tratamentos.

"Hoje conseguimos selecionar embriões com maior potencial de implantação, personalizar protocolos de estimulação ovariana e oferecer taxas de sucesso que eram impensáveis há 20 anos. Além disso, a incorporação de tecnologias de monitoramento embrionário e a individualização hormonal tornaram os tratamentos mais seguros e eficazes", detalha.

FIV amplia as chances de gravidez em diferentes situações

A Fertilização in Vitro (FIV), conforme explica a Dra. Gabriella Maciel Collier, é indicada em diversas situações, como obstrução ou ausência das trompas, endometriose moderada ou grave, fator masculino importante, baixa reserva ovariana e falhas em tratamentos de menor complexidade, como a inseminação artificial e o coito programado.

"Também é o caminho para casais que precisam de testes genéticos nos embriões e para mulheres acima dos 38-40 anos, quando o tempo se torna um fator decisivo e a FIV oferece as melhores chances por ciclo", acrescenta.

Dados do IBGE, noticiados pela Agência Brasil, mostram uma mudança no perfil da maternidade no Brasil. Em um intervalo de 12 anos, o número de mulheres que tiveram filhos após os 40 anos aumentou mais de 65%. O levantamento também aponta crescimento entre as brasileiras que se tornaram mães na faixa etária de 30 a 39 anos, reforçando a tendência de adiamento da maternidade.

Entre as principais dúvidas apresentadas por mulheres de 35 a 45 anos durante as consultas, a médica especialista destaca questões relacionadas ao tempo biológico, à reserva ovariana e à escolha entre o congelamento de óvulos e a FIV.

"Nosso papel é trazer informação sem alarmismo: avaliamos a reserva ovariana com exames como o hormônio antimülleriano e a contagem de folículos antrais, e, a partir daí, traçamos um plano realista e individualizado. A idade dos óvulos importa muito, mas cada mulher tem uma história única", observa.

Congelamento de óvulos oferece mais autonomia para o planejamento reprodutivo

Na avaliação da Dra. Gabriella Maciel Collier, o momento mais indicado para considerar o congelamento de óvulos é antes dos 35 anos, fase em que a reserva ovariana e a qualidade dos óvulos costumam ser melhores.

No entanto, ela ressalta que isso não significa que o procedimento deixe de ser vantajoso após essa idade. Entre os 35 e os 38 anos, as taxas de sucesso permanecem satisfatórias, desde que cada caso seja analisado de forma individualizada.

"O recado mais importante é: quanto antes a mulher buscar uma avaliação da reserva ovariana, mais opções ela terá. O congelamento de óvulos é, acima de tudo, uma ferramenta de autonomia reprodutiva", reforça.

Acolhimento emocional também faz parte do tratamento

Entre os cuidados durante o tratamento, a Dra. Gabriella Maciel Collier destaca o aspecto emocional. Segundo ela, a jornada reprodutiva envolve expectativas, ansiedade e, muitas vezes, o luto por tentativas que não tiveram êxito.

Nesse contexto, a médica reforça a importância de um acompanhamento individualizado, com acolhimento, comunicação transparente e, quando necessário, suporte psicológico integrado.

"Quando a paciente se sente compreendida e bem informada, ela atravessa o processo com mais serenidade — e isso impacta positivamente até a adesão ao tratamento", enfatiza.

Planejamento e informação são aliados da fertilidade

Diretora da Clínica Arminio Collier, a Dra. Gabriella Maciel Collier dá continuidade ao trabalho iniciado por seu pai, o ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana Dr. Arminio Motta Collier, ao lado de sua mãe, a embriologista Dra. Maria Alice Collier.

Com a experiência adquirida ao longo dessa trajetória e acompanhando diariamente mulheres em diferentes fases do planejamento reprodutivo, a especialista reforçа que a informação e o acompanhamento precoce são fundamentais para ampliar as possibilidades de escolha.

Para mulheres que desejam planejar a maternidade de forma mais consciente e informada, a médica orienta procurar uma avaliação de fertilidade cedo, mesmo sem o desejo imediato de engravidar.

Além disso, ela destaca a necessidade de cuidar da saúde de forma global: alimentação, sono, controle do estresse e evitar o tabagismo. "E, principalmente, não enfrente esse caminho sozinha: um especialista em reprodução humana pode transformar incerteza em planejamento", conclui.

Para mais informações, basta acessar: https://dragabriellamacielcollier.com/