

As férias representam um momento de pausa e lazer para muitas pessoas. No entanto, justamente quando a rotina é deixada de lado, os riscos relacionados à segurança de dados pessoais tendem a aumentar. Viagens, uso de redes públicas, compartilhamento excessivo nas redes sociais e a menor vigilância sobre dispositivos eletrônicos criam um ambiente propício para golpes, fraudes e vazamentos de informações. Por isso, a professora de Direito da Universidade Federal de Uberlândia e advogada especialista em Direito Digital e Direito da Moda, Naiara Aparecida Lima Vilela, destaca algumas orientações para esse período.
Um dos principais pontos de atenção está no uso de redes Wi-Fi públicas, comuns em aeroportos, hotéis, rodoviárias e cafés. Essas conexões, muitas vezes sem proteção adequada, podem permitir a interceptação de dados por terceiros. Dessa forma, recomenda-se evitar o acesso a aplicativos bancários ou a inserção de senhas em redes abertas, priorizando dados móveis ou conexões seguras.
As redes sociais também exigem cautela. Compartilhar fotos e informações em tempo real pode parecer inofensivo, mas postagens com localização exata, detalhes da rotina e datas de viagem podem expor não apenas o viajante, mas também sua residência, que fica temporariamente vazia. Em plataformas como o Instagram e o Facebook, é possível ajustar as configurações de privacidade para restringir o acesso ao conteúdo publicado apenas a amigos e familiares. Outra sugestão é publicar esse conteúdo para o público em geral apenas após o retorno da viagem. Contudo, a atenção deve ser redobrada quando há exposição de crianças e adolescentes, uma vez que esse público é especialmente vulnerável no ambiente digital.
Outro cuidado importante envolve o carregamento de celulares fora de casa. Portas USB públicas podem representar risco, já que a tecnologia permite não apenas o fornecimento de energia, mas também a transferência de dados. Por isso, recomenda-se o uso de carregadores portáteis ou de tomadas elétricas, o que reduz a chance de acesso indevido às informações do aparelho.
Além disso, o celular concentra hoje grande parte da vida digital das pessoas. Antes de viajar, é fundamental protegê-lo com senhas fortes, biometria e bloqueio de aplicativos sensíveis, como os financeiros. Também é importante conhecer o IMEI, identificador único do aparelho, que possibilita solicitar o bloqueio junto à operadora em caso de perda ou roubo. Essa informação pode ser consultada na caixa do dispositivo, no adesivo localizado atrás da bateria ou ao discar o código *#06#, quando o número é exibido automaticamente na tela do celular.
Ademais, senhas, documentos pessoais e dados sensíveis não devem ser armazenados em blocos de notas ou mensagens no próprio dispositivo, tampouco dentro das capas de proteção dos dispositivos móveis, frequentemente usadas para guardar documentos pessoais e cartões de crédito. Nessas situações, esse material pode ficar desprotegido e vulnerável em casos de perda, furto ou acesso não autorizado.
No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) reforça a tutela dos dados pessoais como um direito fundamental de natureza constitucional. Embora a legislação imponha deveres às empresas e instituições, a segurança das informações também depende de comportamentos preventivos dos próprios usuários, especialmente em períodos de maior exposição, como as férias.
Assim, adotar cuidados simples pode evitar prejuízos financeiros, transtornos jurídicos e até riscos à segurança pessoal. Afinal, descansar é importante, mas proteger os dados também faz parte de uma viagem tranquila e segura.





