
Triângulo Mineiro poderá se consolidar como um dos principais polos de produção de biometano do país nos próximos anos. Uma chamada pública promovida pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e pela Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) atraiu o interesse de 11 empresas, que apresentaram 27 propostas para disputar contratos voltados à produção e fornecimento do combustível renovável em Minas Gerais.
A iniciativa tem potencial para movimentar até R$ 1 bilhão em investimentos privados e posiciona cidades como Uberaba, Uberlândia, Araxá e Indianópolis entre os locais mais promissores para receber os primeiros empreendimentos do setor. A informação foi confirmada pela própria Gasmig após o encerramento da fase de recebimento das propostas.
Segundo a distribuidora, o processo de classificação já foi concluído e as negociações avançam com a empresa que apresentou a melhor proposta técnica e comercial. A expectativa é de que o primeiro contrato seja formalizado nas próximas semanas, abrindo caminho para a implantação dos projetos em território mineiro.
O biometano é considerado uma das principais apostas da transição energética brasileira. Produzido a partir da purificação do biogás gerado por resíduos orgânicos, o combustível pode ser obtido por meio do aproveitamento de subprodutos da agroindústria, da pecuária, de confinamentos, granjas e usinas sucroenergéticas. Após o processamento, apresenta características semelhantes às do gás natural convencional, podendo abastecer indústrias, veículos e diversas atividades econômicas.
A escolha do Triângulo Mineiro como região prioritária não é por acaso. A região concentra algumas das maiores usinas de cana-de-açúcar do Brasil, além de possuir forte produção agropecuária e importantes complexos industriais ligados ao agronegócio. Esse conjunto de atividades gera grande volume de resíduos orgânicos, considerados a matéria-prima fundamental para a produção do combustível renovável.
A chamada pública prevê a contratação de até 250 mil metros cúbicos de biometano por dia em contratos com duração de dez anos. O volume é suficiente para estimular a construção de novas plantas industriais, ampliar a oferta energética e fortalecer a participação de fontes renováveis na matriz mineira.
Além dos investimentos diretos, especialistas apontam que os projetos poderão criar uma nova cadeia de negócios envolvendo produtores rurais, cooperativas, transportadoras, fabricantes de equipamentos e empresas de tecnologia. O impacto econômico também poderá resultar na geração de empregos e no fortalecimento da economia regional.
Outro diferencial dos projetos é a possibilidade de distribuição por meio do sistema de gás natural comprimido transportado por caminhões. O modelo permite atender municípios sem acesso a gasodutos, reduzindo custos de infraestrutura e acelerando a entrada em operação das futuras unidades produtoras.
Com o avanço das políticas de descarbonização e a crescente demanda por combustíveis sustentáveis, o Triângulo Mineiro desponta como uma das regiões mais preparadas para liderar a expansão do mercado de biometano em Minas Gerais, consolidando-se como referência em inovação energética e economia de baixo carbono.





