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Eu preciso falar de M&A

O Brasil lidera o ranking de fusões e aquisições de empresas na América Latina

Sthefano Scalon Cruvinel
Por: Sthefano Scalon Cruvinel
18/12/2023 às 11h43

M&A é uma expressão muito em alta no mundo dos negócios, mas que pouca gente entende ao certo do que se trata. Tradicionalmente se escreve “M&A” e a pronuncia é “emenei”. Então, caro leitor, você pode perguntar e daí, o que há de interessante nisso? Eu respondo, muito! M&A é a abreviação em inglês para Mergers & Acquisitions, que significa “Fusões e Aquisições”, (F&A) em português e forma quase nada usual. Trata-se de um mecanismo cada vez mais recorrente no meio empresarial cuja finalidade é “criar valor para os negócios envolvidos, aumentando seu tamanho, sua capacidade de competir, precificar ou diversificar suas operações”.

No caso, a “fusão” acontece quando duas empresas se unem para formar uma nova organização, deixam de existir juridicamente e se unem para compor um novo negócio. Por outro lado, a “aquisição” se dá quando uma empresa compra outra (de forma total ou parcial) e ambas permanecem separadas juridicamente, com CNPJs próprios. Um bom exemplo foi a fusão entre os bancos Itaú e Unibanco, considerada uma das maiores da história no Brasil. Trata-se de uma clássica operação de M&A, da qual nasceu o Itaú Unibanco, hoje o maior banco privado do país e maior instituição financeira da América Latina.

Em outras palavras, o termo fusões e aquisições (M&A) diz respeito à consolidação de empresas ou de seus principais ativos comerciais por meio de transações financeiras entre si. Uma empresa pode comprar e absorver uma outra de forma imediata, fundindo-se a ela para criar uma nova empresa, adquirir alguns ou todos os seus principais ativos, fazer uma oferta pública de aquisição de suas ações, ou encenar uma aquisição hostil (acontece quando uma empresa ou um grande investidor toma o controle de uma companhia listada em Bolsa, comprando suas ações). Tudo isso são atividades de M&A, cujo termo também é usado para descrever as divisões das instituições financeiras que atuam nesse setor.

E os números das M&A impressionam. Em 2022, o mercado brasileiro de fusões e aquisições de empresas registrou 1.752 transações totalizando R$ 440,4 bilhões. E olha que esse total de operações do ano passado foi menor 7,8% que em 2021, que vinha de um crescimento de 65,2% em relação a 2020. Os números são de pesquisa feita em 40 segmentos da economia brasileira. Neste ano, até junho, haviam sido feitas 716 operações. Entre os setores que mais conquistaram investimentos estão: internet, software e serviços de TI, consultoria profissional de suporte ao negócio (Business & Professional Support Services), softwares específicos para determinadas indústrias e outros serviços financeiros.

Atualmente, o Brasil lidera o ranking dos países mais ativos em fusões e aquisições (M&A) da América Latina, segundo a TTR, plataforma que fornece dados sobre o mercado de fusões e aquisições.

Mas vou tentar ser mais didático para explicar sobre M&A, mecanismo que vem se tornando cada vez mais popular como forma de administrar um negócio, objetivando acelerar o seu crescimento e atingir objetivos estratégicos.

Então vejamos!

As fusões e aquisições são dois tipos de transações comerciais que podem afetar significativamente o crescimento e a posição de uma empresa no mercado. Uma fusão é a união de duas ou mais empresas em uma só. Quando uma nova empresa inicia suas operações, normalmente ela tem ofertas diferentes, gerenciamento de nível superior diferente e uma marca totalmente diferente. Ao contrário, uma aquisição ocorre quando uma empresa adquire outra para melhor alavancar e coordenar seus respectivos recursos e operações.

M&A são negócios complicados com muitos detalhes, como questões financeiras, jurídicas e estratégicas. A lógica por trás de uma fusão ou aquisição é chamada de “sinergia”, resultando na crença de que a empresa combinada será mais valiosa do que a original. Além disso, as fusões e aquisições podem ajudar as organizações a crescer em novos mercados, a adquirir acesso a tecnologias de ponta e a reduzir a rivalidade no mercado.

Mas esse tipo de negociação é importante? Eu digo que sim! As fusões e aquisições são estratégias de negócios importantes que podem impactar significativamente no crescimento e no sucesso de uma empresa, sendo benéficas para o alcance dos seguintes objetivos:

1. Alcançar economias de escala: A fusão de duas ou mais empresas permite economias de escala, permitindo que a empresa resultante da fusão produza bens ou serviços de forma mais eficiente e a custos mais baixos. A empresa resultante da fusão pode otimizar as suas operações e aumentar a rentabilidade através da consolidação de recursos, conhecimentos e tecnologia.

2. Aumentar a participação de mercado: Ao comprar ou fundir-se com outras empresas do mesmo setor, as fusões e aquisições podem ajudar as empresas a obter uma maior participação no mercado.

3. Penetrar em novos mercados: As fusões e aquisições (M&A) permitem que as empresas se expandam para novos mercados, igualando-se a concorrentes que já se estabeleceram lá.

4. Obter acesso a novas tecnologias ou propriedade intelectual: Com fusões e aquisições, as empresas podem adquirir equipamentos de ponta ou propriedade intelectual valiosa que favorecem melhor competição em seu mercado de atuação.

5. Limitar a concorrência: as fusões e aquisições podem ajudar as empresas a reduzir a concorrência, adquirindo ou fundindo-se com outras empresas do mesmo setor.

Em se tratando de M&A, existem diferentes tipos de fusões e aquisições, cada um com características e objetivos únicos. Os mais comuns são:

1. Fusão horizontal - ocorre quando duas empresas do mesmo setor se fundem. Uma fusão horizontal visa ganhar quota de mercado e reduzir a concorrência.

2. Fusão vertical – acontece quando duas empresas em diferentes estágios da cadeia de abastecimento se fundem. Por exemplo, uma empresa que produz matérias-primas pode adquirir uma empresa que fabrica produtos acabados.

3. Fusão de Conglomerado - uma fusão de conglomerado ocorre quando duas empresas de setores completamente diferentes se fundem. A fusão do conglomerado visa diversificar a oferta de produtos da empresa.

4. Fusão reversa – nesse caso, uma empresa privada adquire uma empresa pública. Isso permite que a empresa privada passe a ter ações negociadas publicamente sem passar pelo processo de oferta pública inicial, em inglês IPO, sigla para Initial Public Offering.

5. Compra alavancada – é quando uma empresa é adquirida com uma dívida significativa. O objetivo é utilizar os ativos da empresa-alvo para saldar a dívida.

Com o tempo, as fusões e aquisições (M&A) tornaram-se uma estratégia de mercado que muitas empresas almejam utilizar. Inclusive, existem bons exemplos desse mecanismo de negócios.

Posso listar aqui a aquisição do LinkedIn pela Microsoft por impressionantes US$ 26,2 bilhões em 2016. Outro acontecimento marcante foi a fusão da Dow Chemical e da DuPont em 2017, que criou a DowDuPont, um conglomerado posteriormente separado em três entidades independentes. Ainda digno de nota, foi a aquisição da Pixar Animation Studios pela Disney em 2006, por surpreendentes US$ 7,4 bilhões. E, por último, a fusão da American Airlines com a US Airways, em 2013, que resultou na formação da companhia aérea mais representativa do mundo, um negócio impressionante.

Nos próximos artigos, vou falar sobre vantagens e desvantagens do M&A.

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Sthefano Scalon Cruvinel é especialista em tecnologia, fundador do Grupo Cruvinel e da EvidJuri, escritório especializado em perícia, assistência técnica, consultorias e laudos. A coluna tem o objetivo de compartilhar conhecimento e experiências práticas sobre iniciativas inovadoras e compreensão da importância da tecnologia na atualidade.
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