
Depois da tempestade vem a calmaria. Ou seja, a história mostra que as crises não duram para sempre, são cíclicas. E se o jargão popular fosse usado para comparar o atual cenário econômico mundial, no sentido de que passado um longo período de quietação é hora de mobilizar e aproveitar as oportunidades. Ou seja, é chegada a hora de investir?!
Traçando um paralelo desse período de pós-pandemia (tempestade) com o quadro de economia instável (calmaria), dá para constatar um evidente e gradativo movimento para retomar o ritmo de investimentos de maneira mais eficiente e antenada aos novos tempos. Trata-se do mercado de fusão e aquisição de empresas, que tem se demonstrado bastante aquecido nos últimos anos. No período de janeiro a maio de 2021, por exemplo, em plena pandemia, o volume de transações dessa natureza no país cresceu 37,23% sobre o mesmo período do ano anterior, o que foi considerado o maior da história, segundo dados da Transactional Track Record (TTR).
Conhecido pela sigla M&A (Mergers & Acquisitions), o processo de fusão e aquisição de empresas abrange os mais variados segmentos; o que dizer então de um dos setores mais requisitados na atualidade, a tecnologia.
O relatório mais recente produzido pela agência EY, uma das maiores empresas de consultoria e auditoria do mundo, apontou a “Adoção de estratégia ativa voltada para M&A” no topo da lista das 10 principais oportunidades para as empresas de tecnologia em 2023.
Nos últimos dois anos, o valor de mercado (Valuation) dessas companhias vem caindo, em contrapartida, aumenta cada vez mais o interesse de investidores ávidos por ampliar seus negócios. Afinal, as operações de fusão e aquisição ajudam a impulsionar o crescimento das empresas, aumentar a competitividade, ganhar mais visibilidade no mercado, expandir as atividades para outros segmentos ou até mesmo um reposicionamento de marca, aproveitando o fit (sinergia) de empresas que serão investidas ou adquiridas.
Um outro estudo da EY segue nessa direção ao constatar que 59% dos CEOs de todos os setores econômicos entrevistados têm planos de realizar fusões e aquisições nos próximos 12 meses – considerando apenas os CEOs de tecnologia, esse interesse chega a 72%.
Um dos motivos que levam as empresas de tecnologia a recorrer a esse tipo de operação é a dificuldade de acesso ao capital necessário para alavancar as atividades. Segundo pesquisas da ABStartups, mais de 74% das Startups no Brasil não conseguem investimentos em virtude da baixa maturidade de gestão e outros fatores estruturais que acabam por criar um desinteresse no mercado de Venture Capital (Capital de Risco).
Mas, encontrar um investidor que pague o que a empresa vale ou apostar numa sociedade transparente e com visão de futuro não é tarefa fácil. As transações de M&A são altamente complexas e podem levar mais de 1 ano para serem concluídas. Na pandemia, muitos negócios faliram e empresários tiveram altos prejuízos por não terem conhecimento do mercado de compra e venda de empresas. Segundo dados do IBGE, somente no ano de 2020, cerca de 1 milhão de empresas foram fechadas no Brasil.
Após definir sobre fusão ou aquisição, as empresas envolvidas precisam se organizar, o que inclui analisar toda a documentação, contratar assessorias especializadas, rever contratos, fornecedores, financiamentos e outros aspectos fiscais e contábeis, antes de iniciar o processo de M&A, ao contrário terão dissabores no processo, gerando frustrações e desmotivando os fundadores (pior coisa que pode acontecer). Em seguida, após ter a “casa organizada” vem a avaliação de mercado (Valuation), que contempla desde o patrimônio atual, carteira de clientes, recorrências, abrangência, até plano de futuro, formato de aplicação do capital, dentre outros inúmeros pontos que precisam ser avaliados, inclusive humanos/pessoais, como regras entre os acionistas, tempo dedicado ao negócio, quórum de votação, temas, saída de sócios, entre outros.
Vale lembrar que as operações de M&A também envolvem fatores de risco, tanto para quem recebe o aporte financeiro, quanto para quem irá investir, adquirir. No entanto, uma decisão que pode resultar em redução do tempo e também dos índices de insucesso de M&A é a contratação de uma assessoria especializada, que auxilie consultivamente desde a otimização dos indicadores (estruturação e governança corporativa) até a condução do processo de M&A, tendo toda a análise e elaboração de documentos, relatórios, contratos e negociações com investidores, atuando em todas as etapas do processo até a sua conclusão. Neste aspecto é importante conhecer os problemas envolvidos nestes tipos de operação e como saná-los, evitá-los, não bastando apenas experiência jurídica em litígios.
Tudo isso para evitar entrar numa barca furada, visando ter uma empresa de sucesso e atender as melhores tendências de mercado.
Assim sendo, é relevante destacar que ter uma empresa organizada, que adota boas práticas de conduta e tem seus processos mapeados é condição básica de existência no mercado, mas não é o suficiente para adentrar em um processo de M&A.
Independente se haverá eventual interesse no futuro sobre uma venda ou fusão com outra corporação, se organize para tal, visto que o mercado está aquecido e inevitavelmente as corporações maiores “engolirão” as menores.





