

Profissões como as de professores universitários (de certas disciplinas) e de operadores de call center estão ameaçadas de extinção, entre viárias outras, substituídas pela Inteligência Artificial (IA) num futuro não muito distante. É o que mostra um recente estudo da Universidade de Princeton, dos Estados Unidos. Analistas de orçamento, contadores e até juízes também estão na lista dos ameaçados pelo desemprego.
Entretanto, na minha opinião, acredito que essa realidade é uma faca de dois gumes. Se por um lado o efeito da IA no trabalho ameaça extinguir profissões, por outro, poderá, como já ocorre em muitas empresas, auxiliar na execução de inúmeras tarefas. Embora seja óbvio que o fim de muitos empregos preocupa, não há como frear a tendência cada vez maior de se substituir o serviço humano por novas tecnologias, por exemplo, as mais novas melhorias na modelagem de linguagem dos sistemas, em especial o ChatGPT, lançado pela OpenAI no final de 2022 e que, em apenas dois meses, havia conquistado quase 100 milhões de usuários.
Nota: o ChatGPT é um assistente virtual inteligente que pode coletar e analisar dados de conversas com clientes, fornecendo insights valiosos sobre tendências e comportamentos do mercado. São insights que, por exemplo, podem ajudar uma equipe de vendas a personalizar abordagens e estratégias de vendas, melhorando as taxas de conversão e aumentando os resultados. Essa tecnologia pode transformar o mercado de trabalho, a educação e a sociedade como um todo.
Outro relatório conclusivo divulgado no último Fórum Econômico Mundial, ou WEF (em inglês: World Economic Forum), no final de abril deste ano, reforça o estudo da Universidade de Princeton. Segundo o documento, baseado em pesquisas com mais de 800 empresas, o mercado de trabalho global deverá sofrer grandes rupturas nos próximos cinco anos, causadas pelo enfraquecimento da economia e a chegada de novas tecnologias às empresas, como a própria IA. Os organizadores do Fórum de Davos estimaram que o mercado de trabalho poderá criar 69 milhões de novos empregos até 2027 e eliminar outros 83 milhões, o que representa um déficit 14 milhões de vagas, que equivale a 2% do emprego atual.
E são vários os fatores que alimentarão a rotatividade do mercado de trabalho durante esse período. A mudança para sistemas de energia renovável será um poderoso motor para a geração de empregos, enquanto o crescimento econômico mais lento e a alta inflação gerarão perdas.
E lembra que falei da “faca de dois gumes”. Nesse sentido, a pressa para implantar a inteligência artificial servirá como uma força positiva e negativa. Ou seja, as empresas precisarão de novos funcionários para ajudar na implementação e gerenciamento de ferramentas de IA. A previsão da WEF é de que o emprego de analistas e cientistas de dados, especialistas em aprendizado de máquina e especialistas em segurança cibernética cresça 30% em média até 2027, em contrapartida às perdas noutros setores.
Por outro lado, a proliferação da inteligência artificial colocará muitos papéis em risco, já que os robôs substituem os humanos em alguns casos, considerando também a informação da WEF que prevê 26 milhões a menos de manutenção de registros e empregos administrativos até 2027, estando entre as profissões de digitadores e secretárias executivas as maiores perdas.
Seguindo numa linha mais otimista, outra pesquisa feita nos EUA, em conjunto com a OpenAI e a Universidade da Pensilvânia, também coloca que a maioria dos empregos será brevemente influenciada pela IA. Na medida em que essa tecnologia se expande e se democratiza, por meio de plataformas que oferecem IA generativa, é provável que ela altere as tarefas em pelo menos 80% de todos os empregos. As vagas de trabalho que exigem educação universitária terão os maiores impactos e, em muitos casos, pelo menos metade das tarefas das pessoas pode ser afetada pela IA. Porém, é importante acrescentar que algumas das ocupações afetadas serão significativamente influenciadas ou aumentadas pela IA generativa e, nesse caso, não substituídas.
Para quem não sabe, a IA generativa é um subconjunto da própria IA em que as máquinas geram conteúdo, isso pode incluir escrita, áudio, vídeo ou imagens. As máquinas que usam IA generativa dependem de algoritmos baseados em seus dados de treinamento.
Apesar da sensação recente em torno de ferramentas como o ChatGPT, a automação se expandiu lentamente no início desta década. No caso do relatório do WEF, as organizações consultadas estimaram que 34% de todas as tarefas relacionadas aos negócios já são atualmente executadas por máquinas. Isso é apenas um fio de cabelo acima da figura de 2020.
Mas, a conclusão importante desse estudo é que a IA generativa – para não mencionar a IA em todas as suas formas – está remodelando o local de trabalho de maneiras que atualmente não podem ser imaginadas. Sim, algumas ocupações podem acabar desaparecendo, mas aquelas que podem aproveitar a produtividade e o poder da IA para criar inovações e serviços que melhorem a vida de clientes, entre outras pessoas, estarão bem melhor posicionadas nessa nova economia que foi criada após o surgimento da IA.
De toda essa realidade não tem como fugir, mas adaptar-se!





