

Seguindo a linha de abordagens desta coluna, desta vez quero falar de inovação, do porquê inovar.
Antes, porém, cabe lembrar que a inovação é um conceito que a maioria das pessoas, principalmente os empreendedores conhecem, mas nem todos praticam.
Resumidamente, Inovação nada mais é do que a prática sistemática de desenvolver e comercializar produtos e serviços inovadores para adoção pelos clientes. Uma gestão adequada da inovação permite que as empresas se diferenciem da concorrência e se tornem empresas de referência no mercado.
A história mostra que inovar é necessário, é uma questão de sobrevivência, para qualquer negócio, para qualquer empreendimento. Vide o caso da Kodak. Essa companhia americana inventou a câmera digital, mas não conseguiu capitalizar sua inovação e acabou ficando para trás quando surgiram concorrentes como Canon e Nikon, oferecendo produtos de melhor qualidade a preços mais baixos. Isso porque a Kodak não queria abrir mão de seu negócio principal, já que as câmeras digitais não exigiam revelação, filme ou outros serviços.
Mas o caso da Kodak é apenas mais um em meio a tantos outros que resultaram em casos de falência e a maioria evidencia o principal dilema do inovador que envolve uma questão cultural e de gerenciamento. Nesse sentido, algumas regras devem ser consideradas para criar uma estratégia e uma cultura bem-sucedidas de longo prazo que permitam a disrupção do modelo de negócios de uma pessoa ou empresa. Porque a inovação sempre vai existir, assim sendo, a única opção é inovar e assumir o seu próprio negócio - ou ver alguém assumir o seu negócio.
Abaixo, vou enumerar as regras básicas para quem está inovando ou pretende inovar, regras essas bastante divulgadas pelos experts em inovação:
Crie uma visão ágil de longo prazo: certifique-se de que sua visão esteja alinhada com o objetivo certo. Não se concentre em especificidades, tecnologias ou modelos de negócios específicos, mas em soluções e abrace a mudança em todos os aspectos.
Seja flexível: as empresas precisam construir organizações que possam responder rapidamente às mudanças nas condições, incentivando a flexibilidade.
Incentive a experimentação: Incentive a experimentação alocando recursos e criando uma cultura que incentive a tomada de riscos e a inovação.
Reconhecendo “Culturas Tóxicas”: Identificar e eliminar culturas tóxicas que podem inibir a inovação é fundamental.
Desenvolva insights do cliente: toda empresa deve se esforçar para obter insights profundos sobre seus clientes, concorrentes e mercado, a fim de identificar novas oportunidades e mudanças revolucionárias em um estágio inicial. Mas também, é preciso se certificar de que a alta administração seja informada e receba informações "desmascaradas". Jeff Bezos, fundador da Amazon, tinha as palavras certas para isso: "Torne-se um fanático por clientes".
Viva a inovação aberta: promover a inovação aberta pode ajudar a empresa a alavancar o know-how e as ideias de terceiros. Garanta uma cultura corporativa que dê aos funcionários tempo e recursos suficientes.
Incentive o intraempreendedorismo: incentivar seus funcionários a pensar como empreendedores pode ajudar a empresa a promover uma cultura de inovação. Ao dar a eles a oportunidade de se tornarem intraempreendedores, você pode perceber rapidamente o potencial deles antes que eles iniciem seus próprios negócios e potencialmente se tornem sua força disruptiva ou concorrente.
Construa parcerias e colaborações: Trabalhar com startups, instituições acadêmicas ou outras organizações pode ajudar a empresa a explorar novas ideias e tecnologias. Fusões e aquisições bem-sucedidas podem se traduzir em novos negócios lucrativos e ajudar a empresa a crescer.
Acompanhar as tendências do mercado e da tecnologia: além de parcerias, pode ajudar a empresa a conhecer as tendências do mercado e da tecnologia para se antecipar e se preparar para tecnologias e modelos de negócios disruptivos. Isso pode ser feito observando os concorrentes e seus esforços de parceria, mas também por meio de percepções estratégicas de mercado.
Criação de uma unidade de negócios dedicada: Estabelecer uma unidade de negócios dedicada com sua própria estratégia e estrutura pode ajudar a empresa a experimentar novas tecnologias e modelos de negócios sem interromper as operações existentes. Isso pode ser benéfico, mas nem sempre é a melhor solução, pois há uma batalha entre o "velho e o novo". Portanto, é mais aconselhável tornar toda a empresa mais ágil e inovadora do que dar a uma parte a liberdade de trabalhar em algo novo enquanto a outra parte se sente "presa e deixada para trás". (essa última regra é opcional).
Concluindo, para quase todas as empresas, esses desafios para a inovação são um grande problema. Mas, especialmente as empresas grandes e bem-sucedidas precisam entender o dilema do inovador e tomar medidas proativas para superá-lo. As organizações devem buscar uma visão ágil e flexível de longo prazo, ser flexíveis em suas operações e apoiar a inovação, incentivar a experimentação constante e a assunção de riscos, identificar culturas tóxicas que podem inibir a inovação, desenvolver percepções do cliente, abraçar a inovação aberta, promover iniciativas de intraempreendedorismo, construir parcerias e colaborações com partes externas e monitorar continuamente as tendências do mercado.
Tudo isso pode parecer muito, mas gerenciar esses itens importantes de maneira adequada é de vital importância. O tamanho por si só não ajuda quando alguém aparece e assume o controle ou atrapalha seus negócios. É uma combinação de conscientização e boa governança que garante que sua organização possa inovar e se adaptar rapidamente.
Em se tratando de inovação, o conselho é: seja ágil, pense “fora da caixa” e experimente!





