

Uma das seis Leis da Autorresponsabilidade, citadas no livro “O Poder da Ação”, do autor best-seller Paulo Vieira, diz o seguinte: Se é para buscar culpados, busque soluções. Assim como na vida pessoal, no mundo dos negócios também é preciso assumir a responsabilidade sobre os próprios atos.
Uma estatística bastante conhecida a partir de levantamento realizado pelo IBGE aponta que pelo menos 60% das empresas brasileiras fecham as portas nos primeiros cinco anos de atividade. E o que essa margem tem a ver com a lei citada acima? Trata-se de uma questão cultural. Boa parte dos negócios mal sucedidos é de responsabilidade dos próprios empreendedores. Entretanto, devido a um comportamento já enraizado na nossa cultura ou um conceito pré-definido, costuma-se atribuir a culpa à burocracia, às crises econômicas, à concorrência, enfim, a vários fatores externos. Mas, um outro dado medido pelo IBGE mostra não tem como fugir da responsabilidade: 46% dos investidores não se prepararam para abrir o próprio negócio. Aí, vale citar outra Lei da Autorresponsabilidade: Se for justificar seus erros, aprenda com eles.
E aí, ainda vai insistir em apontar o dedo, promover uma caça às bruxas, ou prefere arregaçar as mangas, mudar conceitos e buscar alternativas?
Levantamento feito pela empresa de contabilidade Contabilizei apontou que a situação vem se agravando no país desde o fim de 2021, com um número de fechamento de empresas maior do que o de aberturas. No primeiro semestre deste ano houve um saldo negativo de 427 mil empresas encerradas, de acordo com a pesquisa feita com base em registros do CNPJ da Receita Federal. Esse montante vai desde as micro até as grandes empresas, excluindo-se apenas os Microempreendedores Individuais (MEIs).
Há vários motivos que podem levar uma empresa a não alcançar o sucesso desejado. Não há uma fórmula infalível ou uma receita pronta, como uma lista de ingredientes para se fazer um bolo, a ser seguida à risca. Tudo depende do segmento que se pretende empreender para se traçar um planejamento adequado e condizente com a realidade. Independente do caminho a seguir, ou do porte da empresa, alguns preceitos são básicos para se iniciar um negócio com potencial de sucesso. Destaco aqui três deles que fazem parte de qualquer manual de empreendedorismo.
Primeiro, é essencial entender o que realmente move as empresas. Não estou falando aqui de máquinas e equipamentos de última geração ou sistemas com tecnologia avançada – isso tem a ver com investimento, e sim, é indispensável para a sobrevivência e crescimento de uma empresa. O foco aqui são as pessoas. Saber escolher bem os parceiros, sócios e profissionais que irão lhe acompanhar na jornada, bem como preencher os quadros estratégicos respeitando o perfil e absorvendo as habilidades de cada pessoa. Pegamos como exemplo uma construtora. Para o cargo de engenheiro responsável por uma obra, você indicaria alguém com um perfil mais analítico, racional ou colocaria um profissional que toma decisões rápidas, baseadas mais no impulso, no improviso?
Hoje, cada vez mais as empresas têm levado em consideração num processo seletivo o tipo de perfil apresentado pelo candidato e não somente o seu currículo. Ter a ciência de que você está contratando uma pessoa equilibrada emocionalmente, proativa, que sabe mais ouvir do que falar e que esteja aberta a novos conhecimentos pode trazer mais tranquilidade e resultados do que outra que promete tanto quanto a lista de suas qualificações.
O segundo conceito que considero essencial para se manter na ativa é conhecer o mercado o qual se deseja atuar. Isso vale tanto no âmbito interno como externo. Conhecer toda a cadeia produtiva – tipo, de onde vem a matéria prima, como foi produzida, quem são os fornecedores, etc –, ter domínio sobre as técnicas empregadas e ainda ter um mapeamento sobre a concorrência e o que estão fazendo de diferente, vai permitir ter uma visão ampla e real sobre o mercado, de forma a posicionar e adotar estratégias eficientes no atendimento às demandas dos clientes.
O terceiro ponto a destacar é a gestão empresarial, o que compreende um olhar atento à toda organização. Do planejamento às decisões de expansão de mercado, dos processos internos à escolha dos líderes de áreas, da análise dos números financeiros aos novos investimentos.
Poderia citar tantos outros fatores que são preponderantes para a permanência de uma empresa, como capital de giro, segurança jurídica, qualidade de vendas, gestão de crise, boas práticas de conduta, ações sustentáveis, investimento em tecnologia. No entanto, para manter o foco, ressalto ainda a importância de um serviço que abrange toda a complexidade empreendedora: a consultoria especializada, especialmente para os novos empresários. Além de auxiliar no processo de abertura, a consultoria irá ajudar a identificar oportunidades no mercado, realizar diagnósticos, definir posicionamento de comunicação e marketing e a traçar estratégias para consolidar a marca.
Evidente que, dependendo da necessidade, a consultoria pode se limitar a uma ou mais áreas de atuação. O fato é que ter um especialista do lado, principalmente no início da empreitada, pode fazer a diferença ao longo de uma trajetória em que as tempestades são frequentes, mas se estiver bem orientado e com as bases sólidas, qualquer desafio só tende a fortalecer a imagem da empresa.





