

Na semana passada, uma notícia veiculada na mídia nacional me despertou a atenção para uma questão aparentemente simples, mas que ainda gera muita dúvida e desinformação entre as pessoas. A partir deste mês, o Google irá apagar as contas inativas há mais de dois anos. Essa medida contempla não somente os e-mails, mas outros serviços como Drive, Google Fotos, Meet, Agenda, YouTube, etc. E o que o Google pretende com isso? Segundo a empresa, trata-se de uma medida para aumentar a segurança dos usuários, uma vez que arquivos abandonados são mais vulneráveis e podem se tornar alvo de hackers e cibercriminosos.
Daí, me veio a ideia de falar sobre esse “acúmulo de lixo digital”, que muita gente confunde com o lixo eletrônico. Mas será? Não sou eu quem estou afirmando. Uma pesquisa realizada pela consultoria Radar Pesquisas e encomendada em 2021 pela Green Eletron, maior gestora brasileira sem fins lucrativos para a logística reversa de eletrônicos e pilhas de uso doméstico, constatou que boa parte dos brasileiros não sabe o que é esse resíduo e o que fazer para descartá-lo corretamente.
Outra pesquisa, a Resíduos Eletrônicos no Brasil – 2021, apontou que 33% dos entrevistados acreditam que lixo eletrônico está relacionado ao meio digital, enquanto a maioria, 42%, relacionou o termo aos aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos quebrados. Foram entrevistadas 2.075 pessoas em 13 estados e no Distrito Federal.
Antes de mais nada, vale fazer a distinção entre os dois tipos de lixo. Lixo digital se refere a todo tipo de dados e conteúdos digitais que não são mais necessários ou são de baixa qualidade. É o caso dos e-mails já lidos na caixa de entrada ou caixa de saída e até mesmo estão na lixeira, mas ainda não foram totalmente excluídos. Também se enquadram aqui os conteúdos de feed de redes sociais, resultados de pesquisa em canais online, como spam, anúncios, notícias falsas, conteúdo duplicado, bem como vídeos, fotos, áudios e documentos que já não têm mais serventia. Ainda vale a ressalva de que no caso dos spams há o risco de conter links de golpistas ou phishing, que é a técnica de se passar por uma instituição confiável, como bancos, autarquias, empresas de crédito, para roubar informações pessoais e dados bancários. Portanto, manter esse tipo de conteúdo inútil é dar margem ao azar.
Já o lixo eletrônico é a parte física, ou seja, os resíduos materiais gerados pelo descarte de equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos. O computador velho, o celular estragado, o tablet quebrado, o rádio que não funciona mais, pilhas e baterias sem carga, TVs, fios e toda a tralha que dependia de algum tipo de energia para funcionar.
Tanto o lixo eletrônico como o digital podem causar problemas ao meio ambiente. No caso dos componentes eletrônicos, o descarte irregular gera contaminação do solo e da água, além de contribuir na redução do tempo de vida útil dos aterros sanitários. O descarte correto pode ser feito em centros especializados de reciclagem. Em Uberlândia, por exemplo, há um desses locais em que o usuário leva os seus produtos e até consegue receber um valor monetário em troca. O próprio consumidor também pode fazer a reciclagem ou reutilização do aparelho para outra finalidade.
Ao contrário do que muita gente pode pensar, o lixo digital também é um problema que impacta negativamente o meio ambiente. A produção e o armazenamento de grande quantidade de dados geram maior consumo de energia. E quanto mais se precisa de energia, mais se compromete os recursos naturais.
A estimativa é que, por ano, a internet e seus sistemas de suporte produzam cerca de 900 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2), o que equivale em torno de 7% dos gases do efeito estufa no mundo. Portanto, nada de manter a lixeira cheia.
Há ainda o risco de invasão de privacidade e vazamento de dados quando se mantém tantos dados pessoais nos aparelhos sem necessidade. Uma dica para barrar os spams é a utilização de ferramentas para filtrar a entrada desses e-mails e de mensagens, no caso de aplicativos.
Os anúncios indesejados e outros conteúdos, como pop-ups e reprodução automática de vídeos e banners, podem ser barrados com a instalação de bloqueadores de anúncios, disponíveis em várias plataformas. Além de excluir os arquivos desnecessários, o usuário ainda pode fazer o armazenamento em nuvem ou backup em HD externo de documentos essenciais, como alternativa para reduzir o lixo digital.
E sempre vale lembrar que menos é mais. Portanto, informação em excesso pode nos trazer efeitos negativos. Pense no seu computador como um guarda-roupas com muitos acessórios, sapatos e peças de vestuário que você já não utiliza há anos e que vai acumulando poeira, insetos e fungos.
E ai, bora fazer um limpa?!





